A imagem da “Mater Ecclesiae” na Praça de São Pedro foi querida pelo Papa João Paulo II como sinal de agradecimento a Virgem Maria.

O peregrino ou o turista que chega à Praça de São Pedro vê como, do topo da fachada do braço avançado do Palácio Apostólico, do lado que tem vista para a Basílica do Vaticano, domina o mosaico da Virgem, intitulado Mater Ecclesiae. Na base do mosaico, que representa a Virgem Maria com o Menino Jesus, está o escudo de João Paulo II com o lema Totus tuus.

A imagem da “Mater Ecclesiae” na Praça de São Pedro foi querida pelo Papa João Paulo II como sinal de agradecimento a Virgem Maria.

Detalhe do mosaico da “Mater Ecclesiae”.

A imagem, com mais de dois metros e meio de altura, foi colocada ali entre Novembro e Dezembro de 1981, e tem uma história que vale a pena lembrar devido ao estreito e significativo vínculo com o Pontífice beatificado em 1º de Maio [de 2011 e canonizado no Domingo da Divina Misericórdia, dia 27 de abril de 2014].

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Na verdade, quando, após o ataque de 13 de Maio de 1981, Karol Wojtyła voltou ao Vaticano após a primeira hospitalização na policlínica Gemelli, as pessoas responsáveis ​​pelo Ministério do Interior avaliaram a possibilidade de colocar um sinal visível no pavimento da Praça de São Pedro, no lugar onde o Papa foi ferido, para lembrar uma página dolorosa da história da Igreja, mas também para testemunhar o sinal de uma proteção celestial.

João Paulo II expressou imediatamente sua intenção: queria que, como lembrança do ataque, uma imagem da Virgem fosse colocada na Praça, bem visível, porque estava convencido de que foi ela quem o protegeu. Por conseguinte, não havia melhor maneira de lembrar aquele 13 de Maio.

O Papa Wojtyła também revelou que, já no ano anterior, alguém havia apontado uma “falta” singular na Praça de São Pedro: em torno da estátua de Cristo, que se destaca na fachada da Basílica, encontramos as dos apóstolos e as de muitos santos espalhados por toda a colunata, mas não havia imagem da Virgem.

Na verdade, uma bela imagem da Virgem está pintada na moldura acima do portão de Bronze, mas só é visível para aqueles que entram na colunata e se situa ao pé da grande escadaria de acesso.

O Papa acrescentou que era necessário estudar cuidadosamente uma solução que seria apropriada para uma praça rica em arte e muito sugestiva e majestosa.

Então, agimos nessa direção. O Arcebispo Eduardo Martínez Somalo, substituto do Secretário de Estado, confiou-me, nesse momento, com um conselheiro, contatar diretamente com o Bispo Giovanni Fallani, presidente da Comissão permanente para a proteção dos monumentos históricos e artísticos da Santa Sé, e com o professor Carlo Pietrangeli, diretor dos Museus do Vaticano, pedindo-lhes que estudassem um projeto digno na Praça de São Pedro e depois fizesse uma proposta, consultando eventualmente um artista também.

Quando expliquei o desejo do Pontífice, Pietrangeli foi bastante cético. E, mesmo prometendo refletir e consultar um colega, expressou sua convicção de que era um empreendimento, embora sugestivo, quase impossível de realizar.

Dom Fallani disse que, alguns meses antes, pediram sua opinião sobre a proposta de um mosaico mariano em uma janela que tem vista para a Praça De São Pedro. E ele assegurou que iria para aquele lugar para estudar o problema. Duas horas depois, ele fez um telefonema, convidando a mim e a Pietrangeli para ir à Praça de São Pedro.

Quando chegamos, apontando para a janela do palácio apostólico onde o mosaico está agora, ele disse: “Na minha opinião, uma solução que se encaixa bem na cena da Praça de São Pedro é a de um mosaico colocado dentro do marco de travertino[1] da janela lá em cima”. Fallani me perguntou o que estava por trás dessa janela. Eu respondi que era a sala onde trabalhavam duas religiosas escriturárias da Secretaria de Estado e que, além disso, aquela grande sala já tinha outra janela lateral.

Pietrangeli julgou a proposta válida, surpreso por ter encontrado tão rapidamente uma solução adequada para um conjunto arquitetônico que muitos teriam considerado intocável.

Mas, acima de tudo, o projeto agradou o Papa, que nos exortou a continuar.

No caso de um mosaico, pensou-se em envolver imediatamente o arcebispo Lino Zanini, presidente do Estúdio do mosaico da Fábrica de São Pedro, que advertiu que, antes de tudo, era necessário decidir qual imagem mariana escolher para o mosaico.

A este respeito, João Paulo II disse que gostaria de uma representação da Virgem como Mãe da Igreja, porque – explicou – “a Mãe de Deus sempre esteve unida a Igreja, que sempre a sentiu particularmente próxima em tempos difíceis da sua história”. Ele acrescentou que estava pessoalmente convencido de que nesse 13 de Maio [no qual sofreu o atentado] a Virgem Maria estava presente na Praça de São Pedro para salvar a vida do Papa.

Dom Zanini informou que dentro da Basílica do Vaticano – precisamente no primeiro altar à esquerda, quando se entra pela porta lateral chamada “da Oração” – havia uma Virgem com o Menino que, durante o pontificado de Paulo VI, foi restaurada e mais tarde chamada Mater Ecclesiae, como recordação da data histórica de 21 de Novembro de 1964, quando o Papa Montini, durante o Concílio Vaticano II, proclamou a Virgem Maria “Mãe da Igreja”. É uma imagem cheia de significado e história, uma vez que é um afresco pintado em capite columnarum localizado no átrio da antiga basílica de Constantino. É, além disso, uma das poucas coisas lindas que foi possível salvar e, em seguida, transladar para a nova Basílica, depois de terminada a cúpula de Michelangelo. Sua transferência ocorreu em 1607 e a prefeitura do Vaticano a coroou em 1645. Uma vez que veio de uma coluna do átrio da Basílica anterior, geralmente se referia genericamente a ela como “Virgem da Coluna”.

A imagem da “Mater Ecclesiae” na Praça de São Pedro foi querida pelo Papa João Paulo II como sinal de agradecimento a Virgem Maria.

Mosaico da Virgem “Mater Ecclesiae“, Praça de São Pedro, Vaticano.

A proposta de Dom Zanini de reproduzir em mosaico para a Praça de São Pedro este afresco histórico, dedicado a Mater Ecclesiae, foi aceita por Dom Fallani e pela Comissão que presidia. O projeto, por sua vez, foi apresentado ao Papa, que deu sua aprovação.

O professor Virgilio Cassio, com a colaboração de dois artistas experientes, com empenho louvável interpretou para o mosaico o afresco antigo, respeitando suas características, mas com um leve retoque em relação à representação do Menino Jesus, e intensificando o vigor cromático de toda a imagem, para que possa ser vista melhor a uma grande distância.

Na parte inferior do mosaico foram colocados o escudo de João Paulo II e o lema Totus tuus. Sobre a base, foi colocado o título em letras de bronze: Mater Ecclesiae.

A direção dos gabinetes técnicos da governança do Estado do Vaticano preparou o quadro metálico que deveria ser colocado na imagem vibrante e a instalação prosseguia.

Em 8 de dezembro de 1981, João Paulo II, antes de rezar o Angelus, abençoou a imagem mariana, sinal de proteção celestial sobre o Pontífice, sobre a Igreja e sobre os que vão para a Praça de São Pedro.

Posteriormente, um tijolo de mármore com o escudo do Papa Wojtyła foi colocado no pavimento da Praça para indicar o lugar exato onde ele foi ferido.

Fonte: L’OSSERVATORE ROMANO. Ese mosaico de María que recuerda el atentado al Papa Wojtyła.

Links relacionados:

PAPA JOÃO PAULO II. Angelus, 8 de Dezembro de 1981.
TODO DE MARIA. A canonização de João XXIII e João Paulo II.
TODO DE MARIA. A consagração de São João Paulo II a Maria.
TODO DE MARIA. O que significa totus tuus?

Nota:
________________

[1]  Variedade de pedra pardacenta, empregada geralmente nos edifícios de Roma.


Natalino Ueda é brasileiro, católico, formado em Filosofia e Teologia. Na consagração a Virgem Maria, segundo o método de São Luís Maria Grignion de Montfort, explicado no seu livro “Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem”, descobriu o caminho fácil, rápido, perfeito e seguro para chegar a Jesus Cristo. Desde então, ensina e escreve sobre esta devoção, o caminho “a Jesus por Maria”, que é hoje o seu maior apostolado.

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