O Natal e o amor a Jesus Cristo

O tempo do Natal é propício para renovar nosso amor primeiro e incondicional a nosso Senhor Jesus Cristo.

No Natal, celebramos a vinda de Jesus Cristo em família, com os amigos, queremos estar com aqueles que mais amamos. Não há nada errado com este amor humano. Mas, neste Natal, quando “completaram-se os dias em que (Maria) devia dar à luz; e deu à luz o seu filho primogênito — Impleti sunt dies ut pareret (Maria); et peperit filium suum primogenitum” (Lc 2, 6b-7a), podemos ir além desse amor humano e meditar sobre a precedência do amor divino em nossas vidas.O-Natal-e-o-amor-a-Jesus-Cristo

Imaginemos ver o Menino Jesus já nascido na gruta de Belém, e ouvir os anjos cantar glórias a Deus e desejar paz aos homens de boa vontade (cf. Lc 2, 14). Pensemos em quais devem ter sido os sentimentos que despertaram no coração da Santíssima Virgem Maria, ao ver o Verbo divino feito seu Filho! Ponderemos sobre a devoção e a ternura de São José ao apertar contra o coração o santo Menino! Unamos as nossas mentes e os nossos corações aos de Maria e de José para meditar sobre o Amor, que não é amado.

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O Senhor do Céu e da Terra se fez pobre por amor a nós

Quando a Virgem Maria entrou na gruta de Belém, pois não havia lugar para eles na hospedaria (cf. Lc 2, 7), pôs-se logo em oração. Subitamente, Nossa Senhora vê uma refulgente luz, sente no coração um gozo celestial, abaixa os olhos e, ó Deus! O que vê? Diante de si, vê o Menino Jesus, tão belo e amável, que enleva os corações. Segundo a revelação feita a Santa Brígida, o Menino treme e chora, e estende as mãozinhas para dar a entender que deseja que a Virgem de Nazaré o tome nos braços. “Maria, no auge de santa alegria, chama José. – Vem, ó José, disse ela, vem e vê, pois já nasceu o Filho de Deus. – Aproxima-se José, e vendo Jesus nascido, adora-o por entre uma torrente de doces lágrimas”[1].

Em seguida, a Virgem Santíssima, movida de compaixão maternal, levanta com respeito o amado Filho e, conforme a mencionada revelação, ela aquece-o com o calor de seu rosto e do seu peito. “Tendo-o no colo, adora o divino Menino como seu Deus, beija-lhe os pés como a seu Rei, e beija-lhe o rosto como a seu Filho e procura depressa cobri-lo e envolvê-lo nas mantilhas. Mas ai, como são ásperos e grosseiros os paninhos!”[2]. Além disso, estes são frios e úmidos, e naquela gruta não havia fogo ou calor para secá-los.

Consideremos aqui os sentimentos que surgiram no Imaculado Coração de Maria, quando viu o Verbo de Deus reduzido, por amor dos homens, a tão extrema pobreza. Contemplemos a devoção e a ternura que ela experimentou quando apertava o Filho de Deus contra o seu Coração. Unamos os nossos pensamentos e sentimentos aos de tão boa Mãe e roguemos a Deus Pai que o Natal de seu Filho Unigênito nos livre da antiga culpa, do jugo do pecado e da morte. Pois, sem o Seu auxílio para livrar-nos dessas amarras, do egoísmo e de nossa falta de fé, somos incapazes de amar o Amor.

Aquele que todos os Anjos do Céu adoram é rejeitado pelos homens

Jesus Cristo, o Verbo de Deus humanado, nasceu! Toda a humanidade é chamada a acolher o Filho de Deus feito carne: vinde, ó reis, príncipes e todos os homens da Terra, vinde adorar o vosso Rei. Esse é o chamado que Deus faz à humanidade toda e a cada um de nós em particular. Mas, ao receber tão magnífico convite, quem é que se apresenta? Ah! O Filho de Deus veio ao mundo, e o mundo não o quis conhecer. Deus revelou seu Amor, mas os homens o rejeitaram.

Se os homens não aceitaram o convite, ao menos os anjos foram adorar o seu Senhor, e cantar jubilosos:

Gloria in altissimis Deo, et in terra pax hominibus bonae voluntatis — Glória a Deus nas alturas, e na terra paz aos homens de boa vontade” (Lc 2, 14). Glória à divina Misericórdia, que, em vez de castigar os homens rebeldes, fez o próprio Deus tomar o castigo sobre si, e assim os salvou. Glória à divina Sabedoria, que achou meio de satisfazer à Justiça, e ao mesmo tempo, de livrar o homem da morte merecida. Glória ao divino Poder, que de um modo tão admirável venceu as forças do inferno. Glória finalmente ao divino Amor, que induziu um Deus a fazer-se homem e a levar uma vida tão pobre, humilde e penosa[3].

Neste Natal, unamos as nossas adorações às dos anjos e digamos com a nossa santa Mãe Igreja:

Gloria in excelsis Deo! Glória a Deus nas alturas, e na terra paz aos homens de boa vontade. Nós Vos louvamos, Vos bendizemos, Vos adoramos, Vos glorificamos. Graças Vos damos por vossa grande glória, Senhor Deus, Rei do céu, Deus Pai todo-poderoso. Ó Senhor, Filho unigênito de Deus, Jesus Cristo, Senhor Deus, Cordeiro de Deus, Filho do Pai: Vós, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós. Vós, que tirais os pecados do mundo, aceitai as nossas súplicas. Vós, que estais sentado à mão direita do Pai, tende piedade de nós. Porque só Vós, ó Jesus Cristo, sois Santo, só Vós o Senhor, só Vós o Altíssimo, com o Santo Espírito, na glória de Deus Padre. Assim seja[4].

Oração de Santo Afonso Maria de Ligório a Jesus Cristo

Ó meu Senhor, eu não devia ter ânimo de me chegar a Vós, vendo-me tão manchado de pecados. Mas já que Vós, Jesus meu, me convidais com tamanha benevolência e me chamais com tamanho amor, não quero resistir. Não quero fazer-Vos esta nova afronta que, depois de Vos ter tantas vezes virado as costas, deixasse agora por desconfiança de aceder a vosso doce convite. Mas sabeis que sou pobre de tudo e que não tenho nada que oferecer-Vos. Não tenho senão o meu coração, e este Vô-lo dou. Verdade é que este meu coração durante algum tempo Vos tem ofendido, mas agora está arrependido, e contrito como se acha, eu Vô-lo ofereço. Sim, meu divino Menino, pesa-me de Vos ter dado desgosto. Confesso-o: tenho sido um traidor, um ingrato, um desumano fazendo-Vos sofrer tanto e derramar tantas lágrimas no presépio de Belém; mas as vossas lágrimas são a minha esperança. Sou um pecador e não mereço perdão, mas dirijo-me a Vós, que, sendo Deus, Vos fizestes criança para me perdoar. — Pai Eterno, se eu mereci o inferno, vede as lágrimas desse vosso Filho inocente; são elas que Vos imploram o meu perdão. Vós não negais nada às súplicas de Jesus Cristo. Atendei-O, visto que Vos pede que me perdoeis nestes dias santíssimos, que são dias de alegria, dias de salvação, dias de perdão.

Ó meu pequenino Jesus, espero que me perdoeis; mas só o perdão de meus pecados não basta. Neste santo tempo do Natal dispensais às almas graças grandes. Eu também quero uma graça bem grande, e deveis conceder-ma: é a graça de Vos amar. Agora que me chego aos vossos pés, abrasai-me todo em vosso amor e prendei-me a Vós, mas prendei-me de tal modo que eu nunca mais me afaste de Vós. Assim, ó meu Deus amabilíssimo, espero que Vos amarei sempre e que Vós sempre me amareis: assim, ó meu amado Jesus, espero que serei sempre todo vosso e que Vós sempre sereis todo meu: “Dilectus meus mihi et ego illi — O meu amado é para mim e eu sou para ele” (Ct 6, 3). Creio em Vos, ó Bondade infinita; espero em Vós, ó Bondade infinita; amo-Vos, ó Bondade infinita. Amo-Vos, ó meu Deus, feito Menino por meu amor, amo-Vos, e sempre o hei de repetir, amo-Vos, amo-Vos. † Jesus, meu Deus, amo-Vos sobre todas as coisas.

Mas, não Vos amo bastante; quero amar-Vos muito, e Vós deveis fazer que assim seja. Ofereço-Vos o meu coração, entrego-o todo inteiro, não o quero mais. Mudai-o e guardai-o para sempre. Não mo entregueis mais, pois, se o entregardes em minhas mãos, tenho medo que Vos tornará a trair.

Maria Santíssima, vós sois a Mãe desse grande Filho, sede também minha Mãe; em vossas mãos deposito o meu coração, apresentai-o a Jesus; se Lho apresentardes, Jesus não o rejeitará. Apresentai-o, pois, e rogai que o queira aceitar. Amém[5].

Ó Jesus Cristo, amado de minha alma, rogai por nós!

Ó Virgem Maria, minha Mãe e Senhora, rogai por nós!

Links relacionados:

PADRE PAULO RICARDO. Mensagem para o Natal de 2016.

TODO DE MARIA. A tristeza de Jesus no ventre de Maria.

TODO DE MARIA. Maria, o caminho de amor ao Coração de Jesus.

Referências:


[1]  SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO. Meditações para todos os dias do ano – Tomo I, p. 80.

[2]  Idem, ibidem.

[3]  Idem, p. 80-81.

[4]  Idem, p. 81.

[5]  Idem, p. 90-91.

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