Saiba o que é e como fazer um ato de fé, que é indispensável para nosso crescimento na vida espiritual.

Muitos de nós, no início da vida espiritual, achamos que sabemos o que é um ato de fé e também como fazer um ato de fé. No mais das vezes, pensamos que o ato de fé são sentimentos, consolações, que acontecem em momentos de oração, de intimidade com Deus. No entanto, as sensações de amor, paz, alegria, são apenas consequências do ato de fé, são frutos da ação do Espírito Santo em nossas almas (cf. Gl 5, 22). Nossos atos de fé podem ser acompanhados de sentimentos e consolações, mas estes não são a essência da vida espiritual.

Saiba o que é e como fazer um ato de fé, que é indispensável para nosso crescimento na vida espiritual.

Monsenhor Jonas Abib rezendo em ação de graças

A essência da espiritualidade católica consiste basicamente naquilo que comumente chamamos de ato de fé. Ter essa consciência é muito importante porque, da mesma forma que acontece no amor entre um homem e uma mulher, os sentimentos passam. “Os sentimentos vão e vêm. O sentimento pode ser uma maravilhosa centelha inicial, mas não é a totalidade do amor”[1]. Na vida espiritual, os sentimentos e consolações também passam. Mas, isso não significa que nossa fé acabou, que não temos mais fé. Ao contrário, esses tempos podem ser de aridez espiritual, de tentações e provações, nos quais somos chamados a crescer na fé e no amor.

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O que é um ato de fé?

O ato de fé não é algo raro, ao contrário do que muitos podem pensar. Este ato não é algo reservado a uma pequena elite da Igreja Católica, mas uma experiência de certa maneira comum, que todos nós podemos fazer. O ato de fé também não é fruto de nosso esforço pessoal. É claro que para o ato de fé acontecer, precisamos nos dispor interiormente, mas esta é apenas uma condição necessária. O ato de fé em si consiste na ação do Espírito Santo, que ilumina nossa inteligência a respeito de uma verdade fé e move nossa vontade a amar mais Deus. Iluminada pela graça divina, a nossa inteligência recebe um conhecimento mais aprofundado das verdades da fé, e consequentemente somos movidos a amar mais intensa e generosamente.

Assista programa do Padre Paulo Ricardo com o tema “O ato de fé (I)”:

Temos um exemplo extraordinário de um ato de fé na profissão de fé de São Pedro. Jesus Cristo caminhava com seus discípulos e perguntou-lhes: “No dizer do povo, quem é o Filho do Homem? Responderam: Uns dizem que é João Batista; outros, Elias; outros, Jeremias ou um dos profetas. Disse-lhes Jesus: E vós quem dizeis que eu sou? Simão Pedro respondeu: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!” (Mt 16, 13-16).

Simão Pedro já sabia que Jesus é o Cristo e que Ele é o Filho de Deus. No entanto, naquele momento, Pedro recebeu uma iluminação divina, que o fez conhecer essa verdade de fé de modo mais profundo e sobrenatural. O próprio Jesus nos dá a compreender isso, quando lhe disse: “Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus” (Mt 16, 17).

Como fazer um ato de fé?

Para que aconteça um ato de fé, é a necessária a disposição interior da alma. Mas, para que haja essa disposição interior, é necessário nos desligarmos do mundo exterior, como disse o Senhor: “Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo” (Mt 6, 6). Para tanto, devemos escolher um lugar calmo, tranquilo, onde possamos deixar de lado as preocupações e agitações do dia a dia para nos encontrar com Deus. Depois, de encontrar esse lugar, a primeira coisa a fazer é desligar o celular, o smartphone, o tablet, o computador, enfim, tudo aquilo que possa ser fonte de dispersão e atrapalhar a nossa meditação ou oração de intimidade.

No início de nossa meditação, há várias práticas que podem nos ajudar: a leitura de um bom livro espiritual, como o clássico “Imitação de Cristo” ou o “Mensis Eucharisticus – Mês Eucarístico”; a adoração ao Santíssimo Sacramento; a veneração de um crucifixo, uma imagem ou um ícone; ou simplesmente fechar os olhos e nos colocar diante da presença de Jesus, nosso Mestre interior, que habita em nós. No entanto, a prática por excelência para que aconteça o ato de fé em nós é comungar bem, ou seja, em estado de graça e com boas intenções. Em outro momento, podemos usar a nossa imaginação e recordar-nos de nossa última comunhão. Este é um meio muito eficaz de chegarmos a um profundo estado de recolhimento interior, que tanto precisamos para abrir-nos à ação da graça divina em nós.

Assista programa do Padre Paulo Ricardo com o tema “ O ato de fé (II)”:

As várias formas de meditação nos abrem à ação da graça de Cristo, que faz com que a nossa vontade mova a nossa inteligência, que passa a crer com mais firmeza nas verdades meditadas. Dessa forma, acontece um ato sobrenatural de fé, que lança raízes cada vez mais profundas em nossa alma. A repetição habitual deste ato de fé faz com que progridamos em nossa vida espiritual. Pois, a justiça de Deus, ou seja, a santificação, se obtém pela fé e conduz à fé (cf. Rm 1, 17).

Por fim, recordemo-nos que quanto mais deixamos agir a Virgem Maria em nossa comunhão e em nossa oração de intimidade, mais Jesus será glorificado. E deixaremos agir tanto mais Maria por Jesus e Jesus em Maria, quanto mais profundamente nos humilharmos e os escutarmos em paz e silêncio, sem procurar ver, gostar ou sentir, ou seja, sem buscar sentimentos ou consolações. Pois, o justo vive, em tudo, da fé, e especialmente na sagrada comunhão, que é um ato de fé[2], no qual nossa alma é alimentada, como está escrito: “O justo viverá da fé!” (Rm 1, 17; cf. Hab 2,4).

Links relacionados:

PADRE PAULO RICARDO. Comunhão eucarística diária e confissão frequente.

TODO DE MARIA. A consagração a Maria e a comunhão.

TODO DE MARIA. Padre Paulo Ricardo ensina-nos a orar.

Referências:


[1]  PAPA BENTO XVI. Carta Encíclica Deus Caritas Est, 17.

[2]  Cf. SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT. Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem, 273.

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