A feminilidade e a maternidade da Virgem Maria e o seu ser espelho para toda a Igreja.

Maria, o feminino e a maternidadeNa Santíssima Virgem Maria, a feminilidade e também a maternidade se realizaram plenamente. “Ela é espelho da mulher, pois nela se encontra o verdadeiro projeto do Pai em relação às Suas filhas. A sua maternidade, o seu ser esposa e o seu ser filha completam o ser feminino de Maria, e representam tudo o que a mulher pode ser”1. Pois, para a mulher, a maternidade, o ser mãe, é a plenitude do seu ser feminino: “O mistério da feminilidade se manifesta e revela em toda a sua profundidade mediante a maternidade”2. Na Virgem Maria, esta maternidade, que não é apenas biológica, mas também espiritual, assume um caráter eclesial, que diz respeito não somente à todas as mulheres, mas também à toda a Igreja.

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Toda mulher é chamada à fecundidade, à maternidade, a gerar um novo ser humano3, seja biológica ou espiritualmente. Como toda a mulher, a Virgem de Nazaré também tinha esta vocação maternal. Entretanto, ela foi escolhida por Deus para uma gravidez incomum, para uma nova maternidade. O Altíssimo escolheu Nossa Senhora para ser a Mãe do Verbo de Deus encarnado, de Jesus Cristo, o Salvador dos homens4. Mais ainda, cooperando de modo singular, com a sua fé, esperança e ardente caridade, na obra do Salvador, para restaurar nas almas a vida sobrenatural, a Virgem Maria tornou-se nossa “mãe na ordem da graça”5. No Calvário, quando Cristo lhe confiou o Discípulo Amado, e nele cada um de nós6, a maternidade de Maria assumiu dimensões universais, tornando-se Mãe de toda a humanidade.

Esta maternidade de Nossa Senhora sobre a humanidade está intimamente relacionada com a Igreja. A maternidade da Virgem Maria, que gerou o Filho Unigênito do Pai por obra do Espírito Santo, é o “fundamento e o modelo do nascimento sacramental de Cristo por obra do Espírito Santo da Virgem Igreja”7. No Sacramento do Batismo, a Igreja torna-se mãe de todos os fiéis por obra do Espírito, permanecendo virgem. Imitando a Mãe de Deus, “a Santa Igreja é virgem e dá à luz”8 e, também à imitação dela, dá à luz e permanece virgem. Tal geração virginal somente é possível graças à ação sobrenatural do Espírito presente nos Sacramentos, especialmente no Batismo. Neste Sacramento, no Espírito Santo, a “Igreja gera os membros de Cristo”9 e nisso ela é semelhante a Virgem Maria, tornando-se ela também mãe dos cristãos. Consequentemente, como membros do Corpo Místico de Cristo, somos também chamados a gerar novos cristãos, no Espírito, especialmente pela caridade, pela pregação e pelo testemunho do Evangelho.

Assista aula do Padre Paulo Ricardo sobre a “Maternidade“: 

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A Mãe de Jesus recebeu por graça a mais alta das capacidades de fé e de amor, por isso tornou-se, ao mesmo tempo, “imagem primordial proeminente”10 da Igreja e “modelo a imitar”11. A Igreja já está presente na Encarnação do Verbo, porém ainda não enquanto instituição organizada. “Em Maria a Igreja já assumiu a figura corpórea antes de estar antes de estar organizada em Pedro”12. Como Maria, a Igreja é, desde o princípio, mãe e tem como missão realizar essa maternidade, que significa gerar os filhos de Deus. A Igreja é essencialmente feminina, no sentido que ela é, à semelhança de Maria, esposa e mãe, por isso, deve abrir-se ao Espírito Santo, para que aconteça a geração dos filhos de Deus. A vocação feminina, esponsal e materna da Santíssima Virgem nos ajuda a compreender que “a essência da Igreja é ‘mariana’”13, por isso, antes de ser instituição organizada em Pedro14, a primeira missão da Igreja é ser mariana. Em tempos nos quais a devoção a Maria tem sido esquecida ou desprezada por muitos e vivemos uma espiritualidade restrita à Bíblia e aos Sacramentos, resgatar o ser mariano da Igreja é uma tarefa fundamental para que a Igreja seja o que ela é: mãe!

Assim, a Virgem Maria é a primeira Igreja, o primeiro templo vivo de Deus, por isso, ela não é somente espelho para a mulher, mas também para toda a Igreja. Pois, a vocação materna da Mãe de Deus, o seu ser esposa e Mãe, que completam seu ser feminino, nos ajuda a compreender que também a Igreja é chamada a ser esposa e mãe. Da mesma forma que, para a mulher, a maternidade é a plenitude do seu ser feminino, podemos dizer que, pelo fato da Igreja ter nascido feminina em Maria, o mistério da feminilidade eclesial se manifesta e se revela, em toda a sua profundidade, mediante a maternidade, na geração dos filhos de Deus. Esta maternidade espiritual da Igreja, que se realiza sacramentalmente no Batismo e nos outros sacramentos, se realiza espiritualmente na vida de todos os filhos de Deus que, à semelhança de Maria, se entregam inteiramente à vontade do Senhor15. Nossa Senhora. Mãe da Igreja, rogai por nós!

Referências:

1 ARQUEJADA, Sandro. Maria: humana como nós. São Paulo: Canção Nova, 2012, p. 36.

3 Cf. Gn 1, 28.

4 Cf. Lc 1, 26-38.

6 Cf. Jo 19, 26.

7 CANTALAMESSA, Raniero. Maria, um espelho para a Igreja. Aparecida: Santuário, 1992, p. 164.

8 Id., ibid.

9 Id., p. 165.

10 RATZINGER, Cardeal Joseph; BALTHASAR, Hans Urs Von. Maria, Primeira Igreja. Coimbra: Coimbra, 1997, p. 109.

11 Id., ibid.

12 CHAGAS, Francisco das. “O perfil mariano da Igreja”. in Maria no coração da Igreja: múltiplos olhares sobre a Mariologia. São Paulo: Paulinas, 2011, p. 106.

13 Id., ibid.

14 Cf. Mt 16, 18.

15 Cf. Lc 1, 38.


Natalino Ueda é brasileiro, católico, formado em Filosofia e Teologia. Na consagração a Virgem Maria, segundo o método de São Luís Maria Grignion de Montfort, explicado no seu livro “Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem”, descobriu o caminho fácil, rápido, perfeito e seguro para chegar a Jesus Cristo. Desde então, ensina e escreve sobre esta devoção, o caminho “a Jesus por Maria”, que é hoje o seu maior apostolado.

1 comentário

  1. Lindo demais

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